domingo, 28 de outubro de 2012

Estorninho


E de repente vindo do nada,
Como um bando de estorninhos  negros
Que voam fechados em uníssono
E que chilram anunciando a sua passagem,
Chega-me esta tristeza,
Esta vontade de me fechar em concha
De me recolher em forma de não ser
E esperar que esse bando negro 
Que me invade passe, passe rapidamente
Da mesma forma como chegou.
E enquanto o bando negro invade a minha alma 
Choro, choro  lágrimas infinitas e secas
E aguardo,  apenas aguardo
Num silêncio absoluto  que esse bando negro
Voe para outro lugar...


http://m.youtube.com/#/watch?v=Edo3V7VKqWk&desktop_uri=%2Fwatch%3Fv%3DEdo3V7VKqWk&gl=PT

sábado, 27 de outubro de 2012

Cisne

Todos conhecemos a história da cegonha, mas poucos são os que conhecem a história do cisne.
O cisne, tal como as fadas, tinha o dom de passar qualidades, e o seu dom era o da amizade e lealdade.
E assim o fez durante anos, até que um dia, perdeu-se numa tempestade e embateu numa rocha ficando inconsciente. Ao acordar não sabia quem era, nem tão pouco a sua função no mundo. Mas era uma função importante, pois a amizade é um estado de viver e sentir sem egoísmo, sem individualismo, é uma necessidade de partilhar com outrem a beleza ou a fealdade do mundo, é o abraço que nos aconchega.
Como o belo cisne ficou amnésico, não se lembrava que tinha partilhar esse sentimento pelo mundo, e as pessoas começaram a ficar frias e solitárias, isoladas em si próprias, incapazes de partilhar um sorriso ou uma palavra de amizade. Viviam fechadas em si mesmas, incapazes de ajudar outro ser, e com medo de tudo e de todos, desconfiadas da própria vida. O pobre cisne, observava em volta e sentia o desconforto de um mundo sem um pingo de amizade e compaixão... Mas não se lembrava que o seu dom era distribuir a capacidade da amizade aos seres, e também ele viva infeliz. A cegonha encontrou-o num canto e tentou relembrar a sua função, pois sem amizade, nao há amor, e não havendo amor o mundo pára de se unir e não há crianças para a cegonha entregar. Mas o pobre cisne não se lembrava de nada...
Até que um dia quando nadava no lago, na sua vida sem sentido, reparou que perto dele estavaoutro cisne. E do nada ele sentiu um arrepio, um rasgo de memória... Era belo aquele cisne e sem saber de onde, sentiu uma intensa vontade de lhe falar... E de repente lembrou-se da sua função neste mundo, tornar o mundo melhor. Fazer com que os seres se interajudem, se respeitem e se amem. E sem perder mais tempo o cisne voou, voou pelo mundo para nos relembrar o que é amizade. Mas o mundo esteve durante muito tempo frio e egoísta e compete-nos a nós, os que o cisne já conseguiu alcançar, ajudar a repor a verdadeira amizade no mundo, aquela que vem do fundo de nós, sem necessidade de gratificação. Está na hora de ajudar o cisne e a nós próprios. A amizade é um dos dons mais importantes que podemos ter, só assim seremos felizes.



sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Miau

Sentada à janela,
Sinto a leve caricia do sol,
Tal como um toque suave de veludo.
E ronrono, enrolo-me
Nesse calor soalheiro
E inspiro num ápice
Esse pequeno vislumbre de luz.
Sinto-me felina, sinto ganas
De me apoderar desse feixe de energia,
E saltitar em volta desse ténue
Raio que se destaca na janela.
Pequenos e sóbrios momentos de satisfação.
O sol está lá , sempre esteve,
Eu é que era uma toupeira....




Luiz Oliveira

Como meu

Quero caminhar ao teu lado,
Até onde o horizonte termina,
Pois contigo nada há a temer
O mundo dá voltas infinitas,
E tu és eterno no meu ser.

Sinto a tua alma, o teu choro,

O calor do teu amor,
És rei em mim,
Soberano nos meus sentimentos

Ao teu lado o caminho torna-se leve

Ao teu lado o sol parece sempre brilhar
Absorvo-te sem temor,
Como um todo
Como meu!
Luiz Oliveira

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

África


Tenho em mim o cheiro de mil cacimbas
O pó castanho massacrado pelos pés.

Um continente me avassala
Esmaga-me e enleva-me
Numa sobriedade de sons intricados,
Envolto numa atmosfera ébria de ardência.

Já não me reconheço
Nesta ausência do teu odor:
Terra, mulher
Sexual, animal, virtual, utópica.

Tenho em mim o teu corpo lacerado e corrompido,
Tenho-te em mim, alva terra negra.




domingo, 21 de outubro de 2012

Terra

Oiçam-me gritar!
Oiçam-me gritar,
Eu grito com as ondas do mar agitadas
Que ameaçam devorar a terra,
Eu grito como uma gaivota
A ver um barco pesqueiro,
Eu grito como um animal aflito
Com consciência da sua matança.
Oiçam o meu grito,
O grito das serras que devoram
Florestas sem perdão,
O grito da árvore que tomba,
O grito das chamas que tantos
Insistem atear.
Oiçam a voz retumbante do vento
E dos trovões que reclamam os céus
Oiçam o grito dos que não têm voz,
Pois esse grito é meu, é teu,
É o da terra!

Descoberta

Descoberta


E provavelmente descubro-me
Onde já não me encontro.
Algures, algures num vazio cósmico
Onde a energia é sugada
Em vagas de desespero...
Talvez me descubra
Nesse buraco negro
Capaz de absorver
Todos os redutos da vida
E sonhos do universo
Quem sabe se a minha alma
Se encontra lá....

Quem sabe...

sexta-feira, 19 de outubro de 2012


A tristeza aprisiona a alma,
Como se de uma pitão tratasse
Lentamente asfixiando a  vitima
Até ao último suspiro de vida.
Sufoca essa tristeza, neutraliza o ser,
Torna-se o foco de uma existência
Que não consegue respirar,
Apenas se deixa aniquilar
Perante os fortes grilhões da vida,
Que envolvem o pensamento
Numa profusão de descontentamento
De imagens onde o preto não é preto
O branco não e branco,

Simplesmente um mundo sem cor,
Ausente, ausente, ausente.
E asfixio na cobra rastejante da vida,
Sem vontade de me debater ou revoltar,
Apenas ir, ir, sem voltar...