Oiçam-me gritar!
Oiçam-me gritar,
Eu grito com as ondas do mar agitadas
Que ameaçam devorar a terra,
Eu grito como uma gaivota
A ver um barco pesqueiro,
Eu grito como um animal aflito
Com consciência da sua matança.
Oiçam o meu grito,
O grito das serras que devoram
Florestas sem perdão,
O grito da árvore que tomba,
O grito das chamas que tantos
Insistem atear.
Oiçam a voz retumbante do vento
E dos trovões que reclamam os céus
Oiçam o grito dos que não têm voz,
Pois esse grito é meu, é teu,
É o da terra!
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