Um olhar debruçado
Na sombra inequívoca da tristeza
Onde se prendem sombras disformes
De tempos perdidos onde o olhar deixou de ver.
Viajo por rumos ocultos, florestas impenetráveis
Sentindo somente a humidade fria...
Alimento dos mais estéreis fungos
Sem necessidade de luz, sem necessidade de espaço
Simples....
Simples parasitas de árvores imensas que rasgam os céus!
Viajo por caminhos ininterruptos que vislumbram
A sombria tristeza de a nada levar.
Por vezes caminhos secos e áridos somente capazes oferecer pó...
Inodoro, pesado que seca os cantos da boca
E escurece a pele insensível.
Sinto no corpo um cansaço atroz
Que me faz vergar, quebrar à mínima brisa.
Um desejo insaciável de descanso
De sombra e paz.
Debruço sobre o abismo
Um olhar vazio, vazio de esperança,
Um olhar derramado no sangue das recordações.
E nesse debruço, debruço o meu corpo e extingo o olhar.
Um quebrar de pestanas que me deixa sem visão
E que me permite descansar.
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